A espécie Hypnea musciformis foi criada em 1813, por Lamouroux,  tendo como basiônimo Fucus musciformis, descrito por Wulfen em 1789 (Figura 1). Pertence a Divisão Rhodophyta. Rhodon, que em grego significa cor rosa e phyton planta, esse nome surgiu devido à coloração das espécies desta Divisão. Está incluída na classe Rhodophyceae, na ordem Gigartinales e na família Hypneaceae.

As células das espécies dessa divisão são eucarióticas, tendo como pigmentos as clorofilas a e d, e as ficobilinas com pre­dominância da fico­eritrina. Entretanto, a cor das espécies varia desde rosa a negra, algumas vezes, até esverdeada. Como produtos de reserva pos­suem o amido das florí­deas, que ocorre como grânulos no citoplasma, fora do cloroplasto (LEE, 1989). Este amido apresenta estrutura semelhante à amilopectina encontrada em vegetais superiores (PERCIVAL, 1979, LEE 1989, HOEK, MANN, JAHNS, 1995).

A família Hypneaceae é caracterizada por plantas com talo ereto,  de consistência carnosa e abundantemente ramificado, apresentando eixos com numerosos ra­mos curtos. Pos­suem organização uniaxial, com célula apical visível ao microscópio. Em corte transversal, as células medulares são grandes e incolores, enquanto que as células corticais são pequenas e pigmentadas. (JOLY, 1965).
As células reprodutoras, tanto sexuais quanto assexuais, são desprovi­das de flagelos.  A célula reprodutora masculina é denominada espermácio, a qual é geral­mente levada pelo movimento da massa de água ao encontro do carpogônio, célula reprodutora feminina. 

Figura 2 – A ó Parte de um gametófito feminino (n) com carposporófitos (2n), indicados pelas setas e B ó Parte de um tetrasporófito portando ramos com tetrasporângios apontados pelas setas (modificado de SCHENKMAN, 1980)

O carpogônio fecundado (diplóide) produz filamentos denomi­nados gonimoblastos, portando carpósporos diplói­des nas suas extremidades. Este conjunto que fica envolvido em uma urna, é de­nominado carposporófito, o qual é dependente do gametófito feminino haplóide (Figuras 2 e 3).
Esta estrutura quando madura libera os carpósporos na água, os quais irão fixar-se ao substrato e iniciar sua germinação originando plantas diplóides independentes (tetrasporófitos), com morfologia igual às plantas diplóides (gametófitos).

Finalmente, o tetras­porófito quando maduro formará tetrasporângios, que são estruturas diplóides que após a meiose originam quatro esporos haplóides dispostos em sequência linear (Figuras 5 B e 6). Quando esses esporos caem no substrato, germinam formando os gametófitos femininos e masculinos, completando, assim, o ciclo de vida desta alga (Lee, 1989).

Figura 3 – Ciclo de vida de Hypnea musciformis.

Po­rém, muitas vezes a reprodução sexuada pode ser substituída por fenômenos as­sexuados, como propagação vegetativa e/ou apomixia, esta última ocor­rendo na forma de apogamia ou apomeiose. Na apogamia ocorre meiose, sem haver fe­cundação, sendo originado outro gametófito feminino, enquanto que na apomeiose não ocorre a meiose, dando origem sempre a plantas te­trasporofíticas (HAWKES, 1990). A propaga­ção vegetativa ocorre através da fragmentação do talo, ou mesmo das gavi­nhas, funcionando como propá­gulos (SCHENKMAN, 1989).

A formação dos ra­mos terminais em forma de gavinha é uma das princi­pais características morfológicas de Hypnea musciformis, em relação a outras espécies deste gênero encontradas no Brasil (SCHENKMAN, 1986). A ramifi­cação geralmente é abundante e nos tetrasporófitos esta ramificação torna-se bem acentuada. As gavinhas auxiliam na apreensão da alga, a qual é geral­mente encontrada, como epífita, principalmente sobre Sargassum spp. e Pterocladiella capillaceae (Gmelin) Santelices & Hommersand. Todavia, indivíduos com hábito epilítico também são encontrados (SCHENKMAN, 1980, 1986).

A distribuição geográfica de Hypnea musciformis no litoral brasileiro se es­tende desde o Estado do Maranhão até o Estado do Rio Grande do Sul (SCHENKMAN, 1989). Esta espécie foi mencio­nada em várias floras re­gionais do Estado do Rio de Janeiro (YONESHIGUE-BRAGA, 1972, PEDRINI, 1980, YONESHIGUE, 1985, FIGUEIREDO, 1989, REIS-SANTOS, 1991, AMADO  Fo., 1991).